Valor do Esporte na Educação Salesiana

Como Salesianos, educadores e evangelizadores de jovens, somos filhos e herdeiros de um educador que soube valorizar bastante o esporte como um instrumento de educação.
Dom Bosco deixou escrito no seu Sistema Preventivo: “Dê-se ampla liberdade de correr, pular e gritar, à vontade. Os exercícios ginásticos e desportivos, a música, a declamação, o teatro, os passeios, são meios eficacíssimos para se alcançar a disciplina, favorecer a moralidade e conservar a saúde”. E, citando São Filipe Néri, acrescentava: “fazei quanto quiserdes, a mim me basta não cometais pecados”.
A partir dessas idéias de Dom Bosco, vemos com clareza algumas vantagens educativas que derivam das atividades esportivas.
Daí se deduz a importância que Dom Bosco dava, na sua ação educativa. Ao pátio como espaço privilegiado de educação; como espaço de convivência amiga e descontraída dos educadores e educandos; como espaço oportuno para uma “palavrinha no ouvido”.
Dom Bosco, educador sensível às necessidades dos jovens, estava persuadido do valor do tempo livre na educação. Os passeios animados, o teatro, as festas, a banda de música, os brinquedos alegres e variados faziam parte do se calendário de trabalho na vida do Oratório. Compreendeu e soube valorizar o jogo e o divertimento na vida do jovem.
Dotado de qualidades físicas surpreendentes, não só promovia, mas tomava parte ativa nos jogos, nas brincadeiras e nas movimentadas partidas dos meninos. Nos animados recreios, “Dom Bosco era o rei da festa” (Durand Wirth).
Para Dom Bosco, é importante a participação do educador nos jogos dos educandos. Diferentemente da mentalidade comum da época, a visão educativa de Dom Bosco, o educador que se mistura, jogando com os educandos, não perde o seu prestígio nem a sua dignidade. Antes, pelo contrário, nasce entre os dois (educador e educando) uma espécie de corrente elétrica pela qual nasce e cresce, além do respeito, a estima e o afeto. Cria-se uma relação educativa.
Daí a valorização que Dom Bosco dava às recreações animadas e bem participadas. Ele mesmo costumava ser a alma dinamizadora dos recreios. Participava dos jogos dos meninos e até desafiava nas corridas.
Todo adolescente gosta de esporte. Inclusive, é uma necessidade biológica para o crescimento harmônico da sua personalidade.

Destaco e ofereço alguns valores vividos na prática das atividades esportivas que podem ser trabalhadas educativamente pelos educadores com seus educandos

1.    O esporte ensina e incute no atleta um forte estímulo ao esforço pessoal, ao empenho, à força de vontade, à dedicação, à constância, ao compromisso, à responsabilidade, à capacidade de lutar para superar os seus limites.
2.    O esporte alimenta e robustece o espírito de equipe, de ação conjunta, a distribuição de responsabilidades, superando todo egoísmo.
3.    O esporte entretém, espalha alegria, cria confiança e ajuda na construção do equilíbrio.
4.    O esporte auxilia na formação do auto-domínio físico e psíquico, no auto-controle emocional do atleta e na disciplina pessoal e grupal.
5.    O esporte semeia entre os atletas um intenso espírito de união, de camaradagem, de ajuda recíproca, de solidariedade.
6.    O esporte infunde nos atletas a capacidade de respeitar os colegas, incentiva a valorização do outro e estimula o cultivo da amizade.
7.    O esporte contém em si um fascínio especial capaz de atrair e envolver um grande número de pessoas. Basta pensar no futebol, o “esporte das multidões”.
8.    O esporte, na visão de Dom Bosco, é um meio fabuloso de distensão e de formação física e moral na vida dos jovens.
9.    Recordo o Velho Padre Jorge, nosso professor de francês no Colégio Salesiano Sagrado Coração, Recife. Da sua janela, na enfermaria, se deleitava em apreciar os meninos jogando alegremente no pátio e dizia: “Quem inventou o futebol deveria ser canonizado”. O leitor poderá tirar e ampliar suas conclusões.
10.    Dom Bosco nos aponta o grande valor do esporte: ser um método fácil para se alcançar a santidade. Um dia, no Oratório de São Luís, Turim, Dom Bosco, falando para os oratorianos, disse: “gosto que se divirtam, brinquem, estejam alegres; este é um método para se santificarem, como São Luís”.

Pe. Benevides Gurgel (In Memorian)

Escrito em maio de 2010

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